quarta-feira, 8 de abril de 2009

Os dias

Todos os dias, no mesmo horário, espero pelo ônibus para ir ao colégio. Fico sentada ouvindo boa musica e acompanhada de uma garrafa com água, ainda gelada. A rua é bem agitada, antes não, mas agora saindo da Anhanguera passam dezenas de veículos no curto tempo de 20 minutos.

Dentre os caminhoneiros que mandam beijos, motoristas que abaixam os óculos escuros, motoqueiros que buzinam, passam ônibus com crianças penduradas no vidro, parecendo cachorro quando sai pra passear com seu dono de carro. Muitas delas gritam coisas que não entendo, jogam papéis, cospem, fazem sinal de positivo, gestos e expressões que na maioria dos dias procuro ignorar.

Mas hoje, foi diferente. Um ônibus se aproximava e vi um menino com metade do seu corpo parar fora da janela, fiquei espantada e logicamente pensei o pior: o menino caindo pela janela de cabeça no asfalto. Fiquei perplexa olhando e torcendo para que ele voltasse ao seu banco.

O ônibus foi chegando mais perto lentamente, até que chegou. Eu estava frente a frente com o menino na janela, já o imaginei dizendo palavrões ou me acertar a cabeça com papel ou coisa pior, mas não. Ele sorriu, acenou fazendo um gesto de oi ou tchau, não sei, e eu na hora só consegui retribuir com o mesmo gesto e um sorriso.

Depois disso o menino se sentou, manteve só o braço para fora do ônibus e recebeu os elogios de seus fãs. E eu continuei com aquele sorriso o dia todo. Talvez a gente tenha se esquecido de como sorrir.