domingo, 29 de março de 2009

Ser artista é coisa de mendigo!

Desde o começo da minha adolescência eu me pegava pensando no futuro, em que profissão iria escolher e conseguir viver do sustento dela, acho que todo mundo se apega a esse pensamento ou então a mãe põe na nossa cabeça como obrigação. A mãe às vezes é o mundo todo.
Tentei pensar em uma escolha que iria me satisfazer, quis artes cênicas, descobri que não atuava, pensei história, não gostava de ler, ciências sociais? Eu desacreditava muito no mundo. Música? Apesar de tocar violão achava meu conhecimento pequeno. Filosofia? Iria me levar a que? Um mendigo graduado? Tentei então as profissões que eu não gostava tanto, mas que me davam um ar de “herói”. Quis economia, meu tio ganhou muito dinheiro nisso, infelizmente, peguei recuperação em matemática e isso me fez desistir. Biologia? O mundo é muito tolo ainda pra querer que alguém salve a natureza. Medicina? Sim! Medicina!
Eu tinha achado o que queria, eu viraria médico e seria conhecido como Doutor, mesmo não sendo. Aí vieram os problemas, não sabia lidar com pessoas, os humanos são muito confusos, eles confundem tudo, desisti mais uma vez.
Por esses dias me perguntaram: O que você é? Pensei em todas as possibilidades que já criei, tentando me encaixar, mas nem uma me coube, então respondi: Sou artista! Afinal, o que é o artista? É nada.
Artista é o mendigo da esquina que vende quadros, que dizem ser bonito, mas ninguém entende o que quer dizer. È o poeta da praça, que ninguém esta disposto a ouvir. É o escritor de um bom livro que ninguém lê ou se lê não o sente como deveria. É o cineasta que faz o filme, mas ninguém sabe o significado de um filme. É o louco varrido que dizem estar bêbado. Ser artista é sentir, mas quem sente ou sabe o que é sentir, quem hoje em dia entende o que é ter inspiração?
O artista sou eu! Que faço um monte de coisa e ao mesmo tempo não sou nada. Mas afinal, quem quer de verdade ser alguma coisa? Eu não. Prefiro ser artista.