sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Patologização do mundo moderno

Eu ás vezes me encaro em um lugar totalmente do avesso que deveria estar. Onde vou parar com tantos número e reações se o que quero é filosofar? O que me salvou de cair em um precipício por tal conclusão foi comprar bananas no mercado. O mundo tem sido corroído pela patologização das angustias, confesso não ser especialista, mas já reconheci diversos sintomas pelas ruas simplesmente caminhando sem qualquer método profilático. Certo dia estava na fila do mercado, havia comprado bananas, como de praxê havia a tal situação: 7 Funcionários em pé conversando, 1 caixa aberto e 5 pessoas na fila, 3 dessas tinham o dobro da minha idade somada a da mulher que pagava a conta. Esses últimos criticavam toda aquela espera considerada insustentável, estavam fatalmente angustiados. Para não ser mais uma vitima me virei e questionei: “Quando vocês tinham minha idade certamente a fila iria demorar bem mais do que hoje que temos um problema, então porque se angustiam com isso ao invés de sorrir e constatar como a evolução é benéfica?”. Por um segundo ofereci a eles a cura momentânea, mas logo voltaram a franzir a testa. Alerto a todos que fiquem atentos para não sofrer desse mal, sua transmissão ainda é desconhecida mas já vi casos em que apenas uma troca de olhar já foi suficiente. Nesses momentos em que me vejo ao avesso de tudo, paro e adoeço também, me angustio entre números, ciclos, filosofias, tristezas e penso seriamente em que estou fazendo do meu futuro. E de súbito, assim como adoeci vejo que a patologização das angustias é também algo bom! A inquietação, a procura por informação, a insatisfação é algo magnifica, afinal, se me incomodei é por que pensei, se pensei é por que tinha base para tal e veja só, o mais incrível: Sei o caminho para sanar tudo isso. A grande solução dessa angustia sempre está em sua base, é a parte de sustentação que talvez não esteja fundamentada ou os princípios propostos iniciais e finais se perderam. Em alguns momentos estamos nos angustiando pelo esquecimento do que almejamos, temos essa tendencia de memória seletiva e de curto alcance. A angustia tende a rodear a cabeça e se elevar ao nível terminal da patologia: o medo. “Escrevo numa tarde cinzenta e fria Trabalho pra espantar a solidão e meus pensamentos Hoje assumi em público minha doença Estou mais leve, mais livre Mais ainda tenho muitos medos Medo de voar, de amar Medo de morrer, de ser feliz Medo de fazer análise e perder inspiração Ganho dinheiro cantando minhas desgraças Comprar uma fazenda, fazer filhos Talvez seja uma maneira de ficar pra sempre na terra Porque discos arranham e quebram Amor” (Carta Dani – Cazuza) Ao cair nesse estágio sua reversão ainda é possível desde que consiga iluminar sua mente e estabelecer onde está e onde quer chegar. Depois desta auto-psicanalise reavalie suas estratégias, corrija erros e realize mudanças de rotas ou reafirme as anteriores. O mundo é uma eterna angustia e fazer parte e sair dela é o que torna o homem um ser incrível.