domingo, 23 de agosto de 2009

"tem certas coisas que não sei dizer"

Promete ser fiel,
amar e respeitar a ela,
na alegria e na tristeza,
na saúde e na doença,
todos os dias da sua vida?

Não entendo porque esse rito só é feito em casamentos, pra dar segurança ao casal? As pessoas se casam por amor, ou por medo da solidão?
Sempre quando vemos um casal de idosos a primeira frase que vem na cabeça; “eles são como companheiros, se um morrer o outro morre logo depois”. Quando somos crianças e temos um amigo nossas mães costumam dizer: “são bons companheiros”. O mesmo companheiro do fim é aquele do começo, e o amor, é o mesmo? Talvez.
Porque não posso fazer um rito com um amigo? Prometer ser fiel, amar, respeitar na alegria e na tristeza, na saúde e na doença por todos os dias da minha vida?
Os humanos precisam de segurança das mais diversas formas, financeira, econômica, principalmente a “emocional” de saber que sempre terá alguém do seu lado. Em um casamento, independente do que aconteça enquanto ele estiver casado, está estacada uma obrigação, em uma amizade não.
As pessoas dizem saber tanto do amor, falam tanto dele, sonham tanto, mas ainda não sabem dizê-lo sem textos de Drummond, ou tantos outros escritores. Palavra que exige uma tradução que ninguém sabe dar, apenas se sente, sente, sem saber como agir.
Continuo achando que pequeno príncipe estava certo:
“- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, teremos necessidade um do outro. Serás para mim, único no mundo. E eu serei para ti, única no mundo. Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. O teu passo me chamará para fora da toca, como se fosse música. A gente só conhece bem as coisas que cativou.”